sexta, 22 setembro 2017

Entrevista SPI (3)

Dados pessoais
Nome completo: Lúcia Karine Tavares Moniz Semedo
Data de nascimento: 18 /04/1981
Equipa atual: Seven Stars

 

Posição: Médio Centro
 
Lúcia Moniz é sinônimo de humildade, motivação e superação. Nascida em um país onde o futebol feminino ainda luta para conquistar o apoio e o espaço facultado a outras modalidades desportivas, ela construiu o seu percurso, entre a sala de aula, o seu primeiro clube (Tapadinha) e a Escola de Preparação Integral de Futebol, EPIF,até ser reconhecida no território nacional como uma das melhores praticantes de uma modalidade em tempos dominada exclusivamente pelos homens.
 
 
Moniz concedeu uma entrevista ao SEKA PELI INFO, onde ela fala do seu percurso no futebol feminino, sem esquecer dos melhores momentos da sua carreira e da mensagem que gostaria de transmitir as meninas que pensam em seguir os seus passos. Confira os melhores momentos…
 
Na minha época era mais complicado porque os pais não aceitavam.”
 
Faça uma breve descrição da Lúcia Moniz enquanto jogadora de futebol.
Sou uma jogadora forte fisicamente e não muito dotada tecnicamente mas com um bom remate. Sou uma jogadora que joga pelo coletivo e que gosta de marcar golos …
 
Quando e como começou a se interessar por futebol?
Comecei a interessar pelo futebol quando tinha uns 12/13 anos e no liceu. Na altura fazíamos jogos “inter ruas” e no liceu porque houve um semestre em que a modalidade a ser lecionada era o futebol, o que me despertou um certo interesse…
 
Quais são as dificuldades que uma menina enfrenta quando decide ser jogadora de futebol?
Na minha época era mais complicado porque os pais não aceitavam. Hoje vê-se mais na televisão, fala-se mais do futebol, há mais apoio dos pais e uma maior abertura e acredito que acabam por incentivar mais e mesmo nas escolas na educação física já ensinam futebol não só aos rapazes …
 
Nota alguma diferença no tratamento dado as mulheres que jogam futebol em Cabo Verde em relação ao tratamento dado aos homens?
Claro a diferença é grande, por exemplo em Santiago Sul o campeonato masculino já está no fim e o nosso irá iniciar agora, ou seja visto assim a prioridade é o futebol masculino quando termina é que o feminino começa … e penso que as coisas podiam ser diferentes. Acho que se podia perfeitamente fazer em simultâneo. E existem algumas competições de futebol em Cabo Verde que são feitas apenas em masculino a Taça Independência (Inter ilhas), e a Taça da Praia (na cidade da Praia). Hoje em dia a maioria das equipas masculinas, pelo menos na Praia, pagam os seus jogadores. Podemos dizer que são semiprofissionais, o que não acontece com o futebol feminino…
 
Na sua opinião, qual o maior obstáculo para o ingresso das mulheres num clube de futebol?
O preconceito, se bem que hoje em dia existe menos, a carência das escolas de futebol que trabalham ligadas ao futebol feminino, a falta de apoio ou patrocínios faz com que as equipas também não apostem no futebol feminino e sendo assim, sem divulgação e sem condições, as miúdas mesmo que dedicadas acabam por perder o interesse e muitas vezes escolher uma outra modalidade.
 
Lúcia Moniz é considerada das melhores jogadoras do futebol feminino de Cabo Verde. Poderia haver um risco de acomodação. Onde encontra motivação para evitar isso e continuar a jogar?
Nunca fui considerada a melhor jogadora de futebol em Cabo Verde, mas em 2012 ganhei o prémio de melhor jogadora da cidade da Praia. Eu não me acomodo gosto de jogar futebol e exijo sempre o melhor de mim e não gosto de perder e para não perder e estar a um nível sempre elevado, tenho que trabalhar e dar o meu máximo a cada treino, chegar aos jogos e por em prática.
 
Há jogadoras, colegas de equipa e adversárias, que declaram serem fãs sua. O que acha disso?
A sim? Não sabia… fico feliz por saber que as minhas adversárias/colegas gostam da minha maneira de jogar, admiram-me e reconhecem o meu valor. Dá-me uma maior responsabilidade de trabalhar e estar sempre num bom nível e tentar ser um bom exemplo para elas. Eu também sou fã de muitas jogadoras de Cabo Verde. É difícil não ser fã temos várias jogadoras talentosas.
 
Na altura da realização da Gala do Desporto Cabo-verdiano, edição do ano 2013, na sua página do Facebook, Lúcia queria saber o porquê da ausência do futebol feminino. Alguém chegou a falar consigo sobre o assunto? Passados alguns meses qual é a sua opinião sobre o mesmo?
A nossa direção não ficou parada. Reclamamos e acabamos por ser comtempladas com o merecido prémio. Eu acho que iniciativas dessas por parte dos organismos que tutelam o nosso desporto são louváveis e devem continuar, mas os critérios de seleção/nomeação devem ser claros e todas as equipas devem ter conhecimento do regulamento para que depois não haja equívocos, reclamações e tentativas de exclusão.
 
Atualmente a Lúcia faz parte do Seven Stars, atual campeão nacional do futebol sénior feminino tendo vencido na final o Mindelense por 2-0, com o primeiro golo a ser marcado por si. É de notar que esta equipa do Seven Stars é composta toda ela pelas antigas jogadoras da EPIF que já se tinham consagradas por duas vezes consecutivas campeãs de Cabo Verde. Fala-nos dessa mudança ou dessa nova experiência.
Sim marquei um golo na final muito importante para mim porque estava lesionada e fiz o campeonato a meio gaz. E o golo acabou por motivar a minha equipa e acabamos por vencer e quanto a mim fomos justos vencedores. A equipa do Seven Stars do ano passado toda ela era composta por ex-jogadoras da EPIF, foi uma mudança rápida. A duas semanas do campeonato começar tivemos uma reunião e decidimos que as coisas como estavam na EPIF não poderiam continuar e como há um ditado que diz que “quem está mal é que deve mudar” então decidimos mudar.
Como capitã e porta-voz do grupo comecei a procurar soluções e através da jogadora e sub-capitã Elsa tivemos uma reunião com o Sr. Gil Èvora do Seven Stars que nos recebeu muito bem e mostrou-se entusiasmado com o novo projecto e depois a direção do Seven Stars decidiu abraçar o projecto de futebol feminino, que no primeiro ano foi campeã Regional e Nacional.
É claro que o trabalho de base já estava feito pela EPIF foram muitos anos e estávamos habituadas a jogar juntas, mas a mudança trouxe às jogadoras um novo entusiasmo uma nova motivação. E com o trabalho que foi realizado pela equipa técnica do Seven conseguimos atingir o nosso objetivo que era sermos campeãs, e desde então não perdemos nenhum jogo.
 
Agora estamos a preparar para começar o campeonato Regional com o objectivo de defender o título. A experiência tem sido positiva, aliás antes não tinha a noção do trabalho do Clube Seven Stars, hoje estou por dentro e sei da dimensão do trabalho do clube e aproveito para agradecer à direção e ao Gil por ter acreditado e apostado em nós. 
 
(…)fiz grandes amigos e hoje tenho boas amizades graças a minha passagem na EPIF.”
 
Já agora conta-nos com foi a sua formação na EPIF.
O meu percurso no futebol começa por falar antes da EPIF. Comecei no futebol com 15 anos. Treinava no campo «Baxu Rubera» de Paiol, também treinava futebol de salão com a Equipa da Empa. Depois comecei a jogar com a equipa da minha zona, Achadinha, que se chamava Tapadinha. Nessa altura faziam muitos torneios Inter Zonas e ganhávamos sempre. Tínhamos uma equipa muito forte. Lembro-me que na época fizeram uma seleção de Santiago que iria participar num torneio inter ilhas no Sal e fui selecionada. Só da minha equipa erámos 9 jogadoras e fomos campeãs. Na altura tinha 17 anos, as outras jogadoras eram mais velhas, com mais experiências e fui aprendendo com elas.
Mas não eram escolas de futebol, não havia muito tempo e condições para ensinar e fazer um trabalho de base. Cheguei à EPIF com 19 anos e já tinha passado 4 anos a jogar, mas sentia necessidade de aprender mais. E na EPIF tive essa oportunidade aperfeiçoar o meu futebol. Aprendi muito, viajei com escola para ir jogar nas Canárias e Holanda que foram dois grandes projectos enquadrando o futebol feminino onde tivemos uma excelente prestação. Tive praticamente 13 anos intercalados na EPIF.
Fui estudar em Portugal, mas sempre que vinha de férias treinava e jogava na EPIF e quando regressei de vez voltei a jogar na EPIF. Ou seja, a EPIF foi a minha família no mundo do futebol, onde aprendi não apenas lições do futebol mas da vida, fiz grandes amigos e hoje tenho boas amizades graças a minha passagem na EPIF. A maioria dos títulos importantes que conquistei foi com EPIF.
Neste momento estou noutro projecto mas tenho uma forte ligação à EPIF e uma boa relação com o pilar da EPIF, que é o Mister Djedji. Preocupo-me em saber se tudo está a correr bem e sei que se a EPIF precisar de mim e eu da EPIF iremos nos ajudar mutuamente. E acredito que se não tivesse na altura optado pela EPIF não teria tanto sucesso no futebol. Quem passa pela EPIF e quem viveu a EPIF fica sempre com o sentimento de família e com uma grande ligação e carinho pela escola.
 
Não fica com um amargo de boca sabendo que poderia dar mais ao seu país, se por acaso tivéssemos uma seleção nacional de futebol feminino?
Claro que sim. Quem joga sonha sempre em representar o seu país e temos tantas jogadoras de qualidade em Cabo Verde e mesmo fora do país. Certamente teríamos uma boa seleção. No ano passado no Campeonato Nacional de Futebol Feminino ficou a promessa por parte do Sr. Mário Semedo que a selecção de Futebol feminino estaria para breve. E acredito que agora com o sucesso dos tubarões azuis a FCF esteja a preparar para iniciar com a selecção feminina de Futebol, tudo tem o seu processo e o seu tempo e penso que chegou a nossa vez. E assim como aconteceu com o masculino iremos certamente ter sucesso, porque o que não nos falta é talento.
 
Como descreve a participação dos Tubarões Azuis no CAN na Africa do Sul? O que é que mais a surpreendeu pela positiva e o que é que faltou para irmos mais longe?
 
Eu vi a selecção a jogar e via as outras selecções e sentia que iríamos fazer uma boa prestação na CAN o que acabou por acontecer. Os jogadores estavam motivados. O país conseguiu transmitir uma energia positiva e a participação foi espetacular. Foi pena não conseguirmos vencer o Gana mas jogamos muito bem e penso que a nossa participação foi positiva e que surpreendeu muita gente.  
 
Todos os prémios de melhor jogadora e melhor marcadora que recebi ficam sempre na memória como grandes momentos porque é sempre o reconhecimento do trabalho.”
 
Qual o acontecimento que descreve como sendo o mais bonito na sua carreira?
Não consigo descrever apenas um momento. Tenho alguns bons momentos tanto no Futsal em Portugal como no Futebol de 11. Mas o primeiro grande momento foi na final inter ilhas, na Ilha do Sal, onde marquei o primeiro golo da Selecção de Santiago e ganhamos por 2.1.
Todos os prémios de melhor jogadora e melhor marcadora que recebi ficam sempre na memória como grandes momentos porque é sempre o reconhecimento do trabalho.
Lembro-me também de um empate frente a equipa do Benfica quando jogava nos Leões. O Benfica já não perdia e nem empatava a 2 anos e nós conseguimos arrancar um empate ao Benfica e nesse ano a nossa equipa ficou em 3ºlugar, melhor classificação conseguida pela equipa dos Leões do Porto Salvo num campeonato regional de Lisboa.
Mas não posso deixar de destacar a final do campeonato nacional do ano passado contra a equipa do Mindelense. Num ano de mudanças e de grandes sacrifícios, tanto para mim como para as minhas colegas de equipa, e de muitas lesões, mas no fim veio a grande recompensa conseguimos atingir o nosso objetivo que era sermos campeãs nacionais. E levantar o troféu de campeã nacional é sem dúvida um grande momento.
 
Qual a mensagem que gostaria de deixar as meninas que pensam seguir os seus passos?
Que não desistam de jogar futebol. Hoje o futebol feminino vai ganhando cada vez mais o seu espaço e hoje podem estar em Cabo Verde a jogar e amanhã podem estar numa equipa de nível mundial. Encarem o futebol com seriedade, não desanimem com os obstáculos que vão aparecendo pelo caminho, divirtam-se a jogar futebol e mostrem que Cabo Verde tem grandes jogadoras, trabalhem sempre com muita dedicação, muito querer, muita força e muita humildade. Acredito que muitas têm espaço no futebol internacional como aconteceu no ano passado que foram 3 jogadoras do Seven para Portugal .
 
Quem é o seu ídolo?
Klismman pela facilidade que tinha em marcar golos. Ronaldinho Gaúcho pela sua habilidade e magia. Zidane pela forma de saber tratar a bola e de momento o Messi pela simplicidade de jogar futebol fazendo parecer que é tudo fácil.
 
SEKA PELI INFO agradece a sua entrevista, o empenho e a disponibilidade.
 
Por: Nilton Ravier Cesare

DADOS PESSOAIS
Nome completo: Jailton “Kuca” Alves Miranda
Data de nascimento: 1989-08-02
Posição: Avançado (Extremo direito)

 

Clube atual: Desportivo de Chaves
 
 
Como tem sido hábito o SEKA PELI INFO dá-lhe a possibilidade de acompanhar e saber tudo sobre o seu ídolo. O nosso escolhido para a entrevista desta semana é o Jailton Alves Miranda ou simplesmente Kuca para o mundo da bola.
 
 
Ex-jogador do Bairro (clube em que atingiu um meia-final do campeonato nacional, depois de ter sido segundo classificado do campeonato regional Santiago Sul) e do Boavista (equipa pela qual foi campeão regional Santiago Sul, campeão e vencedor da Taça de Cabo Verde) Kuca, atualmente no Chaves, tem recebido muitos elogios da empresa desportiva portuguesa. Sem rodeios Kuca falou de tudo ao SEKA PELI INFO: a passagem pela EPIF, a sua adaptação ao futebol português, entre outros assuntos. Confira os melhores momentos…
 
 
                              “A EPIF foi melhor coisa que me aconteceu no mundo do futebol…”
 
Semana a semana, tens feito bons jogos e marcados golos importantes no teu clube. Podemos dizer que o balanço da época é positiva a nível pessoal?
R: Graças a Deus estou dentro dos meus objetivos pessoais que determinei no início desta época. Agora é continuar a trabalhar para que nesses 6 jogos que faltam possa fazer mais e melhor.
 
Quem vê os jogos do Chaves e as tuas atuações diria que foi fácil a tua adaptação, ao estilo de jogo e ao modo de vida existente em Portugal.
R: Sim, adaptei-me muito bem as equipas por onde passei graças a ajuda dos meus colegas e dos dirigentes desses mesmos clubes.
 
Para sermos mais precisos, o que mudou em ti desde a tua chegada em Portugal até agora?
R: Aperfeiçoei os conhecimentos que tinha, aprendi coisas novas contudo ainda falta aprender muito no futebol, que é minha vida.
 
A completar a terceira temporada no Chaves qual o teu próximo passo? Podemos esperar o Kuka numa equipa a lutar pelas competições europeias ou pelo título na próxima época?
R: Todos os dias trabalho com muita garra e com muita vontade de chegar o mais alto possível no futebol, porém o destino a Deus pertence. Só tenho a dizer que sinto-me preparado para o que der e vier.
 
Neste momento tens alguma proposta em mão para a próxima temporada para jogar num outro clube que não seja o Chaves?
R: Ainda nada de concreto sobre esse assunto


Fala-nos da tua passagem pela EPIF.
R: A EPIF foi melhor coisa que me aconteceu no mundo do futebol. Ali foi onde comecei a alimentar o meu sonho de ser jogador de futebol. Aprendi muito na minha passagem pela EPIF: como tornar-me um bom jogador e como ser um grande homem além do futebol. Não tenho palavras para descrever a minha gratidão que devo a esta escola que para mim é a melhor do mundo.
 
Não podemos falar da EPIF sem falar dos problemas que a escola enfrenta atualmente.
R: Sim é verdade. A escola EPIF passa atualmente por uma situação muito difícil. Situação essa que no meu tempo nunca aconteceu: a falta de materiais para um bom treinamento... por isso faço um apelo a todos os filhos da EPIF que tentem ajudar com aquilo que puderem (coletes, bolas, pratos, cones, entre outros). Cabo Verde sem EPIF perderia muito, tanto a nível do desporto como no plano social.
                          “É muito triste não termos seleções nas camadas jovens.”
Se eu te pedir para citares 3 jogadores cabo-verdianos a atuarem nas divisões inferiores em Portugal que mais te encantam, quais seriam os teus escolhidos?
R: Diria o Kiki (um central que jogou comigo na equipa do Boavista, e que agora joga no Sertanense no Campeonato Nacional de Seniores), o Carlos Vaz (mais conhecido por Lobo e que também pertencia ao EPIF, tal como eu, e atualmente joga no Vitória de Sernache) e o Patas Moreno (um médio defensivo muito forte físico e tecnicamente do Benfica do Castelo Branco). É claro que há mais jogadores que admiro, porém esses 3 estão no topo da lista.
 
Em Cabo Verde apesar de aparecerem cada vez mais jogadores jovens, tanto no nosso campeonato como no estrangeiro, não existem seleções para a camada jovem. O pensas disso?
R: É muito triste não termos seleções nas camadas jovens. No nosso país existem muitos talentos que perdem com a falta de competições nas camadas jovens e depois para chegar a seleção A torna-se mais difícil, tanto para os que militam no estrangeiro mas em particular para os que jogam no nosso campeonato.
 
Após a saída de Lúcio Antunes e Bubista para o Progresso de Zambizanga (Angola), a seleção cabo-verdiana de futebol, mesmo que interinamente, conta com uma nova equipa técnica. Qual a tua opinião sobre os elementos que compõem esse grupo de trabalho (prof. Beto Cardoso, Lito, Bera…)?
R: Na minha opinião a atual equipa técnica tem tudo para dar continuidade ao bom trabalho realizado até agora da nossa seleção.
 
Quem é o teu maior ídolo na vida e no futebol?
R: Os meus ídolos na vida são os meus pais e no futebol é o Leonel Messi.
Qual o jogador que mais o marcou como colega de equipa?
R: O jogador que mais me marcou como colega de equipa é o Ricardo Chaves (defesa-central do Desportivo Chaves de 36 anos, que jogou em clubes como o Rio Ave, Vitória de Setúbal, Sporting de Braga, entre outros) pela sua forma de estar em campo, trabalhar e liderar um grupo.


Qual o seu melhor jogo e o seu melhor golo?
R: Penso que o meu melhor jogo até agora foi contra o Portimonense. Apesar da derrota por 4-2 fiz um bom jogo e marquei 2 golos. E o segundo golo foi muito bonito.
 
SEKA PELI INFO agradece a tua entrevista, o empenho e a disponibilidade.
Por: Nilton Ravier Cesare
Dados pessoais
Nome completo: Nivaldo Semedo
Data de nascimento: 31-12-1981
Clube: Boavista Futebol Clube da Praia
Função: Vice-Presidente
 
 
Nivaldo Semedo, nascido no seio de uma família amante do futebol, é sinônimo de humildade, motivação e muita perspetiva para o futuro.
Depois de regressar do Brasil, país onde fez os seus estudos, com o intuito de dar o seu contributo efetivo ao Boavista, Nivaldo, com o aval do presidente, teve a ideia de reunir “um grupo de amigos, um grupo de jovens e competentes quadros” com o objetivo de “constituir uma mais-valia não só para o Boavista Futebol Clube da Praia, mas também para o desenvolvimento do futebol cabo-verdiano”. Estava assim dado o primeiro passo para que o jovem cabo-verdiano abraçasse o dirigismo desportivo e logo num dos campeonatos regionais mais disputado de Cabo Verde.
Semedo concedeu uma entrevista ao SEKA PELI INFO, onde ele fala da satisfação em ver o clube do seu “coração evoluir, ultrapassando barreiras, obstáculos e metas, que eram impensáveis há um par de anos”. Naturalmente, apontou os objetivos a serem alcançados assim como as conquistas conseguidas até a presente data. Confira os melhores momentos…
 
 
“(…)o nosso futebol necessitava principalmente da ousadia que é uma característica bem presente no DNA dos mais jovens.”
 
Como é que se deu a entrada do Nivaldo Semedo no mundo do futebol e particularmente 
numa função (dirigente) até aqui mais dominada pelos veteranos?

R: A minha entrada no mundo do futebol deu-se de forma natural, visto que comecei a frequentar o 
Estádio da Várzea ainda na barriga da minha mãe, que mesmo grávida não falhava os jogos, e 
desde essa altura tornou-se um hábito, uma paixão, e nunca mais deixei de acompanhar, exceto 
quando fui ao Brasil estudar, mas mesmo à distância seguia de perto e quando concluí os estudos, 
regressei a Cabo-Verde e achei que era o momento certo para dar o meu contributo mais efetivo 
ao BFC, em termos de organização e estrutura. Foi nesse momento que decidi abraçar o 
dirigismo desportivo.
 
Ao entrar para o mundo do futebol o que é que traçou como objetivo pessoal, para o bem 
da mesma modalidade em Cabo Verde? O Nivaldo em algum momento disse para si 
mesmo: “Eu quero mudar isto e aquilo?”

R: Naturalmente que sim! O futebol cabo-verdiano, nomeadamente o da Praia, precisava 
(e ainda precisa) de tomar novos rumos. Os dirigentes mais antigos fizeram muito pelo futebol 
e continuam a fazer muita falta ao futebol, mas indubitavelmente o nosso futebol precisa de 
novas ideias, novos métodos e novas filosofias. Para dar maior sustento ao trabalho efetuado 
até agora, o nosso futebol necessitava principalmente da ousadia que é uma característica 
bem presente no DNA dos mais jovens.
 
Dito isto, qual é a sensação de estar a contribuir para a evolução do Boavista, em particular?
 
R: Para mim é um orgulho e satisfação sem precedente ver o clube do meu coração evoluir,
 ultrapassando barreiras, obstáculos e metas, que eram impensáveis há um par de anos.
 
“Em termos organizacionais temos vindo a trabalhar de forma estratégica e para um
 Boavista de referência a todos os níveis(…)”
 
Já agora qual o objetivo do Boavista a médio e a longo prazo?
R: No plano desportivo o Boavista FC da Praia participa em qualquer competição com o 
objetivo de vencer. Na época passada ficamos na quarta posição do campeonato Regional de 
Santiago Sul. Num ano em que considerámos ser o ano de reorganização profunda.
 
Este ano porém, quisemos mudar esse cenário, reforçamos cirurgicamente a equipa e o resultado 
até agora tem sido satisfatório, pois lideramos de forma isolada o campeonato regional e estamos 
na final da Taça de Santiago. Portanto, temos uma excelente oportunidade de conseguir 
a famosa “dobradinha” que mais que um desejo torna-se uma meta e objetivo para a equipa
 técnica, jogadores e dirigentes.

Com a entrada dos mais jovens na direção do Boavista, o clube tem surpreendido os
 adeptos e os adversários pela positiva através das medidas adotadas. Quais as outras
medidas de reestruturação que tem em curso?

R: Em termos organizacionais temos vindo a trabalhar de forma estratégica e para um
 Boavista de referência a todos os níveis, um Boavista apostando no marketing e 
merchandising, um Boavista com uma visão empresarial, um clube com os seus deveres 
e compromissos em dia, resumindo em uma palavra um Boavista sustentável.
 
Como funciona a direção do Boavista? Como foi feita a divisão de poderes? Os adeptos 
gostariam de saber como funciona essa mistura entre veteranos e os mais jovens.
 
R: O clube teve o seu ponto de viragem quando (com o aval do Presidente) reuni um grupo de amigos, um grupo de jovens e competentes quadros, que na altura senti que efetivamente poderiam constituir uma mais-valia não só para o BFC, mas também para o desenvolvimento do futebol cabo-verdiano.
 
Na altura a árdua tarefa foi sensibiliza-los para o facto do desporto em geral não se resumir apenas às habituais discussões entre Benfica e Porto, Messi e Cristiano Ronaldo etc, etc… enfim, mostrar-lhes que havia futebol para além da Sporttv.
 
Foi apresentado a cada um deles um projeto ambicioso que consistia no ressurgimento deste grandioso clube e em simultâneo contribuirmos para a valorização do nosso desporto. O desafio foi muito bem aceite, e posso afirmar inclusive que a esmagadora maioria desses jovens abraçaram de forma firme o projeto.
 
A partir daí tudo aconteceu de forma natural, sentamo-nos à mesa e traçamos detalhadamente o caminho que este clube iria trilhar em busca do sucesso. O trabalho que tínhamos pela frente era gigantesco, e foram necessárias várias, intermináveis e produtivas reuniões.
 
Na primeira época apesar de várias tentativas não conseguimos um patrocinador oficial, mas sim importantes parcerias como o da Clinica Medici e do Ginásio E-Fit. Era o ano zero, o ano da adaptação e primeiros contactos com uma realidade até então desconhecida para a maioria dos jovens dirigentes.
 
Dividimos o clube departamentos (Financeiro, Desportivo, Marketing, Disciplinar, Médico e Jurídico) e em cada um deles há um responsável. Apostamos no marketing e no merchandising, escola de formação e angariação de sócios.
 
Somos hoje um clube com um forte cariz social, um clube voltado para as causas sociais ajudando os menos favorecidos tais como as crianças da Aldeias SOS. Apoiamos a organização de uma campanha de angariação a favor das vítimas do Vulcão do Fogo e também efetuamos entrega de materiais escolares e não só às crianças na localidade de Ribeirão Boi.
 
Em apenas 7 a 8 meses de trabalho reforçamos a credibilidade do clube, modernizando-o e definindo uma visão estratégica clara e objetiva.
 
 
O Boavista, se não estamos em erro, tem dois grandes patrocinadores a Unitel Tmais e,
 mais recentemente, o Novo Banco. Poderia nos explicar em que consiste os acordos 
com essas duas instituições.
 
R: Para além desses dois patrocinadores referidos, temos também outros que acreditam no trabalho que o clube está a desenvolver. Cada um apoiando na medida dos possíveis, mas todos satisfeitos com a valorização das respetivas marcas. A Unitel T+ e o Novo Banco identificaram no Boavista uma aposta para a visibilidade.
 
Essas empresas viram no Boavista FC um clube organizado, um clube sério que apresenta um diferencial em relação à maioria dos outros clubes, e quando assim é abrem-se novas portas. A realidade é que após poucos meses de parceria, as referidas empresas mostraram toda a sua satisfação pelo retorno e visibilidade que o Boavista tem dado e que de certeza continuará a dar às empresas que abraçarem este projeto.
 
De realçar também que temos mais empresas parceiras que também acreditam na sustentabilidade do projeto e na importância da componente social que a nossa realidade tanto precisa.
 
Como avalia o futebol de formação em Cabo Verde, tanto a nível de clubes como de seleções? 
O que já foi feito, o que falta fazer e qual o papel do Boavista no meio disto tudo?

R: A seleção teve um papel importante na visibilidade internacional do nosso futebol e devemos muito ao trabalho desenvolvido pela FCF, algo que tudo devemos fazer para preservar e melhorar. A nossa seleção, que tem vindo a estar cada vez mais organizada e com melhores jogadores, resulta também da oportunidade que jovens os cabo-verdianos tiveram de praticar o futebol durante a sua infância, na sua maioria em Cabo Verde. O Boavista acredita que na formação é que está o futuro do nosso futebol, tanto para continuar as boas prestações dos nossos Tubarões Azuis, mas também para melhorar o nível do futebol nacional e a competitividade dos nossos campeonatos. O clube tem um projeto de formação e já começou a dar os primeiros passos. É um firme objetivo.
 
Como adepto, o que é que espera do Boavista da presente temporada? 

R: Se me perguntares na qualidade de adepto digo-te que quero ganhar tudo, Taça da Praia, 
Campeonato Regional e Nacional (risos). Na qualidade de dirigente, tenho ainda mais 
motivos para acreditar que temos todas as capacidades e condições para alcançar esses 
objetivos, considerando o trabalho que está a ser feito. Naturalmente é uma competição, futebol
 não é uma ciência exata, existem outras agremiações com as mesmas ambições e objetivos que o 
Boavista e no final só pode haver um só vencedor. Cada jogo é encarado como uma batalha pelos 
nossos jogadores e para nos vencerem terão que suar muito.
 
 
“Queremos um Boavista a lutar pelos títulos nacionais e com os olhos postos na Liga dos 
Campeões Africanos.”
 
Como é que surgiu a ideia de juntar o Nelito Antunes e o Humberto Bettencourt na mesma 
equipa? Algo, até o momento, inédito no futebol cabo-verdiano.

R: Foi uma decisão em perfeita sintonia com o nosso treinador principal da época transata, o Nelito Antunes.
 
O Plantel desta época é muito diferente da última época, fomos a equipa que mais se reforçou e naturalmente as exigências seriam maiores este ano. O departamento desportivo reuniu-se com o Mister Antunes e chegamos a conclusão que, assim como o plantel, havia a necessidade de reforçar a equipa técnica.
 
Fomos convidados a participar num Torneio do Município da Brava, e foi quando convidamos o Mister Humberto para juntar-se a equipa na preparação ao referido Torneio. Ele aceitou e assumiu as rédeas da equipa juntamente com o Nelito durante três semanas de treino de preparação para o Torneio.
 
Participamos e vencemos o Torneio. Porém, mais importante que a vitória no torneio foi o visível entrosamento e empatia que havia entre os dois treinadores e o grupo de trabalho. Posteriormente, e sempre em concertação com o Mister Nelito, decidimos avançar para a contratação do Humberto Bettencourt. Até agora podemos afirmar que estamos convencidos de ter tomado a decisão correta.
 
Se o Boavista for campeão nacional, a direção tem um projeto que visa participar na Liga 
dos Campões Africanos?

R: Mais do que um sonho é uma meta a longo prazo. Queremos um Boavista a lutar pelos títulos 
nacionais e com os olhos postos na Liga dos Campeões Africanos. Um dos grandes sonhos 
desta nova direção é voltar a colocar o Boavista nessa prestigiante competição, onde já esteve 
presente. Temos um grupo de jogadores ambiciosos e acima de tudo trabalhadores, que merecem
 uma oportunidade fantástica como esta. Mas temos a plena consciência que será uma tarefa 
monstruosa reunir todas as condições, principalmente a financeira. Teríamos que envolver 
apoios de instituições, patrocinadores e da sociedade civil no seu todo. No entanto estamos
 confiantes que conseguiríamos esse feito.
 
Em Santiago Sul temos tido muitos jogadores a assinaram com dois clubes ao mesmo tempo, 
gerando conflitos entre os clubes e os jogadores em causa. Na sua opinião, o que deve ser 
feito para combater esse problema?

R: Esse é de facto um dos problemas mais sensíveis na parte organizativa do nosso campeonato regional, assim como acontece em várias outras regiões desportivas de Cabo Verde. A informatização das associações e a penalização adequada dos clubes e jogadores que infringirem, poderia ajudar a resolver esta questão. Entretanto acredita-se que é um problema resultante das condicionantes da nossa sociedade, e que um esforço a todos os níveis (federação, associações, clubes/dirigentes e jogadores) poderá minimizar o impacto do mesmo.
 
 
 
“O investimento nas camadas jovens é algo que deve ser encarado com muita seriedade, 
tranquilidade, afinco e determinação.”
 
Como dirigente de um dos melhores clubes do país, gostaríamos de saber como é que, na sua 
opinião, o deporto e o futebol, mais concretamente, deve ser explorado nas diversas ilhas.

R: Analisando os números dos jovens que estão desempregados e que não estudam, é assustador e todos devemos contribuir com ideias e soluções. O investimento nas camadas jovens é algo que deve ser encarado com muita seriedade, tranquilidade, afinco e determinação. Esse investimento deve ser acompanhado também com formação paralela, em áreas não relacionadas com o desporto. Devia-se também dar maior importância à legislação e aos regulamentos existentes, tanto a nível nacional como internacional e agir em conformidade adotando as estratégias adequadas às mesmas.
 
Onde é que gostaria de ver o Boavista quando deixar a direção do clube?  

R: O atual Presidente do clube já leva cerca de 30 anos nesta direção e já venceu tudo o que haveria para ganhar a nível Regional e Nacional. Eu como dirigente já tenho um Campeonato Regional, uma Taça de Cabo Verde e um campeonato Nacional. Atualmente ocupamos o Top 3 do futebol cabo-verdiano, mas se me perguntar daqui a 30 anos como gostaria de ver o Boavista FC da Praia responderia: como o número 1 em Cabo Verde em termos de títulos, de organização e de todos os outros aspetos socio-desportivos diretamente ligados ao futebol. Digo mais, gostaríamos essencialmente de deixar um modelo de gestão sustentável, para que a passagem de testemunho entre as próximas geração de dirigentes seja feita de uma forma mais tranquila e saudável possível.
 
 

 

Por: Nilton Ravier Cesare

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